terça-feira, 11 de novembro de 2008

Convite: Blogagem Coletiva "Interlúdio com Florbela"

Blogagem Coletiva: Interlúdio com Florbela, 08 de dezembro de 2008! Ontem fiz um pedido, hoje faço um convite! Um delicioso convite para participar da blogagem coletiva de iniciativa da Flor, do blog Interlúdio. Como adoro poesia e tudo que tem ligação com cultura, arte e literatura, aceitei o convite sem pestanejar.

Não conheço nada da escritora e poetisa portuguesa Florbela Espanca, só sabia que era poetisa, mas nunca li algo de sua autoria ou sobre sua vida.

Sendo assim, trouxe o texto da Flor para que possamos ter uma boa noção sobre a vida e a obra da autora. É um resumo, mas já aguça nosso interesse e nos põe em sintonia com a escritora.

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UMA FESTA PARA FLORBELA

No dia 8 de dezembro comemora-se mais um ano do nascimento de Florbela Espanca, ícone da poesia em língua portuguesa. Seus versos expressam um erotismo e uma liberdade pioneiros na poesia do seu país.
Excelente sonetista, Florbela expressa suas emoções em linguagem telúrica, de imagens fortes, impregnadas de verdade física e arrebatamento. Sua poesia caracteriza-se pela recorrência dos temas do sofrimento, da solidão, do desencanto, aliados a uma imensa ternura e a um desejo de felicidade e plenitude que só poderão ser alcançados no absoluto, no infinito.

A veemência passional da sua linguagem, marcadamente pessoal, centrada nas suas próprias frustrações e anseios, é de um sensualismo muitas vezes erótico. Simultaneamente, a paisagem da charneca alentejana está presente em muitas das suas imagens e poemas, transbordando a convulsão interior da poetisa para a natureza.

Uma breve Biografia

Florbela d’Alma da Conceição Espanca nasceu em Vila Viçosa, no Alto Alentejo, em 8 de dezembro de 1894, a Rua do Angerino, em casa de sua mãe, Antônia da Conceição Lobo. O pai, João Maria Espanca, era casado com outra mulher mas, como deste casamento não houvesse filhos, estabeleceu uma relação com Antônia e dessa relação nasceram dois filhos: Florbela e Apeles.

Florbela Espanca

Nos registros da Igreja Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa consta Florbela como "filha ilegítima de pai incógnito". O mesmo acontecendo com seu único irmão, Apeles, nascido em 10 de março de 1897.

Em 1899 Florbela já freqüenta o curso primário. Data de 11 de novembro de 1903 o poema A vida e a morte – ao que tudo indica o primeiro de sua autoria. Ingressa, em 1908, no Liceu de Évora, onde permanecerá até 1912.

No dia de seu aniversário no ano de 1913, Florbela casa-se, no Registro Civil de Vila Viçosa, com Alberto de Jesus Silva Moutinho que havia sido seu colega de classe desde o curso primário.

Em abril de 1916, seleciona, dentre a sua produção poética, cerca de 30 peças produzidas a partir de maio de 1915, com as quais inaugura o projeto Trocando Olhares.

Em outubro de 1916, desde setembro vivendo em Lisboa e financiada pelo pai, matricula-se na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, que abandonará em meados de 1920: dentre os 347 alunos inscritos, apenas 14 são mulheres.

Em junho de 1919 faz publicar o Livro de Mágoas, com as dedicatórias: "A meu pai. Ao meu melhor amigo." e "À querida Alma irmã da minha. Ao meu irmão." Logo depois começa a trabalhar em novo projeto Livro de Soror Saudade, publicado em 1923.

No dia 30 de abril de 1921 é assinado o divórcio de Florbela e Moutinho. Dois meses depois se casa com o alferes de artilharia da Guarda Republicana, Antônio José Marques Guimarães. Em 1925 divorcia-se de Antônio Guimarães. Ainda em 1925, em Matosinhos, Florbela casa-se com Mário Pereira Lage, médico.

Em 1930, com poemas e contos, inicia a colaboração na recém-fundada revista Portugal Feminino, na Civilização e no Primeiro de Janeiro. Em seu Diário do Último Ano, Florbela expressa o estado de solidão em que se vê mergulhada:

"O olhar dum bicho comove-me mais profundamente
que um olhar humano...
Num grande esforço de compreensão, debruço-me,
mergulho os meus olhos nos olhos do meu cão...
Ah, ter quatro patas e compreender a súplica humilde, a
angustiosa ansiedade daquele olhar!..."

E não há de ser por acaso que Florbela se faz acompanhar de tal imagem durante esse derradeiro percurso: não é o cão mitológico o guardião da morte?

Florbela EspancaSeus versos traduzem sinais de exaustão, de desilusão e de um processo de depressão. Morre, na noite de 7 para 8 de dezembro de 1930, vítima, do efeito de barbitúricos, não se sabendo jamais se por suicídio ou por acidente, pela ingestão de dose excessiva.

Considerada como a figura feminina mais importante da Literatura Portuguesa, Florbela Espanca deixou poesias de uma sensibilidade exacerbada, repletas de um erotismo confessional, que deixa transparecer tendências e sentimentos opostos, flagrados como se em um diário íntimo.

Segue nas pegadas dos grandes sonetistas da Língua Portuguesa, como Camões, Bocage, Antero, embora difira deles, em muitos pontos, principalmente por ser mulher, e abordar apenas o Amor, não fala “sobre o amor”, mas “do amor”, de maneira espontânea, destravada, como seiva que brota pura dos recônditos da imaginação, sem as coerções da moda ou das conveniências literárias, o que levou muitos críticos a falarem de sua obra como repleta de "don-juanismo", pelo sensualismo que desconhece grilhões, desprovido de falsos moralismos, cálido, franco, superando hipocrisias e convenções pequeno-burguesas.

Florbela EspancaSensibilidade e imaginação são os pontos altos de seus momentos de criação, na melhor expressão literária, não permitindo, em momento algum, que sua obra possa se reduzir a apenas uma confidência equívoca de sentimentos mantidos secretos pelo pudor feminino. Verdade da própria experiência e fantasia unem-se para gerarem poesias de primeira grandeza como nenhuma outra representante do sexo feminino o fez, na Literatura Portuguesa.

Fonte: Interlúdio.

Para pegar o selo para colocar na barra lateral do blog (como fiz aqui na Lavanderia Virtual), além de maiores detalhes sobre a blogagem coletiva, basta clicar neste link aqui.

A gente se encontra dia 08 de dezembro próximo! Boa blogagem a todos!

19 Recado(s). Após o sinal, deixe o seu!:

Andréa Motta

Pode contar com meus dois blogs: Leio o Mundo e Conversa de Português. Beijos!

luzdeluma

Juca, melhor colocar selinho na sidebar para lembrar. Vou lá pegar o meu!! Boa semana! Beijus

Flor ♥

Bom dia, Juca! Agradeço pela sua participação e divulgação do "Interlúdio com Florbela", uma homenagem mais do que merecida pela poetisa e por nós também, que teremos a oportunidade de ler e reler a beleza de seus versos!

Bjs, e um excelente dia!

Flor ♥

Obrigada pelo convite!
Já estou indo lá buscar o meu também!
Obrigada mais uma vez!

Beijos muitos beijos!

Rô!

Du

Ôpa! Dessa eu não posso ficar de fora, adoro a Florbela!

SONHOS

Ter um sonho, um sonho lindo,
Noite branda de luar,
Que se sonhasse a sorrir…
Que se sonhasse a chorar…

Ter um sonho, que nos fosse
A vida, a luz, o alento,
Que a sonhar beijasse doce
A nossa boca… um lamento…

Ser pra nós o guia, o norte,
Na vida o único trilho;
E depois ver vir a morte

Despedaçar esses laços!…
…É pior que ter um filho
Que nos morresse nos braços!

Florbela Espanca - Trocando olhares - 12/08/1916



Ai, ai...lindo, né Juca?
Beijão

Juca

Andréa, que bom que participará. E ainda com dois blogs, que beleza! Obrigado! :-)

Beijos!


Luma, o selinho já está na sidebar (barra lateral) desde o momento que fiz o post. :-) Reveja este trecho: "Para pegar o selo para colocar na barra lateral do blog (como fiz aqui na Lavanderia Virtual)..." Que bom que também vai participar! Obrigado!

Tenha um ótimo dia!
Beijos!

Juca

Flor, eu é que agradeço pela sua maravilhosa e deliciosa iniciativa. Vamos espalhar encanto e beleza pela blogosfera! Parabéns pela linda iniciativa!

E de quebra eu ainda ficarei conhecendo detalhes da vida e obra da poetisa! Eu sairei lucrando dessa blogagem! :-)

Obrigado e excelente dia pra ti também!
Beijos!

Juca

De nada, Rô! Mas sou apenas espalhador da boa nova! O mérito é da Flor! rsrs

Obrigado pela adesão!

Tenha um lindo dia!
Beijos!



Du, tinha absoluta certeza que iria participar! rsrs Como moça escritora e sonhadora, certamente que iria aderir! :-)

Agora sua escolha deste poema foi proposital, né? rsrs E ainda lembra seus dois blogs, o Norte e A Moça do Sonho. :-)

Adorei a escolha. Às vezes parece-me que se pudéssemos viver em sonho tudo seria mais tranqüilo! Só não podia o sonho virar pesadelo! rsrs

Obrigado pelo lindo poema!
Beijão!

Andréa Motta

Juca, vim agradecer por sua adesão a Coisas do Brasil e confirmar minha participação no Interlúdio. Beijos!

omesmo

Olá Juca.

Tem selo pra vc no meu blog!

Grande abraço!!!

Ronaldo - Vida Blog

Max

Oi Juca,

Estudei Florbela Espanca e, devo confessar que quando estava no liceu não gostava muito dela, mas em fase adulta passei a compreendê-la melhor.

Florbela nutria um amor secreto pelo seu irmão; mas isto não é muito falado. Metade dos seus sonetos são-lhe dedicados - e "fama est" que seja por essa razão que a sua obra seja tão tensa, ainda que apaixonante.

Também se diz, que se matou por causa desse amor incestuoso...mas quem sabe?

Para mim, o seu melhor soneto é "Ser Poeta" o qual partilharei contigo:

"Ser poeta é ser mais alto, é ser maior

Do que os homens! Morder como quem beija!

É ser mendigo e dar como quem seja

Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!



É ter de mil desejos o esplendos

E não saber sequer que se deseja!

É ter cá dentro um astro que flameja,

É ter garras e asas de condor!



É ter fome, é ter sede de Infinito!

Por elmo, as manhãs de oiro e cetim…

É condensar o mundo num só grito!



E é amar-te, assim, perdidamente…

É seres alma e sangue e vida em mim

E dizê-lo cantando a toda a gente!"

Lindo, não é?

Beijos, meu lindo!

Su

Ôpa!!!
Eu não conhecia nada de Flobela também, mas lendo algumas coisinhas aqui já fiquei bastante interessada. E conhecimento, descobertas, poesia, cultura... nunca é demais! Temos que aproveitar esses momentos para aprender e saborear outros mundos!!!
Já tô dentro!!
Beijão, Juca

Georgia

Oi, esperando seu post sobre a blogagem da Adocao.

Abracos

Juca

Olá, Andréa! De nada, será um prazer participar da sua blogagem coletiva! Por enquanto, a gente se encontra na blogagem sobre a Florbela! :-)

Beijos!



Oi, Ronaldo!
Obrigado pelo selo. Já fui lá buscá-lo!

Abração!

Juca

Max, muito interessante esta informação sobre a Florbela nutrir um amor secreto pelo irmão. Talvez isso realmente seja uma explicação para seus versos!

O soneto é deveras lindo e profundo mesmo! Obrigado por oferecê-lo a mim! Aos poucos, até antes da blogagem mesmo, já vou conhecendo mais um pouco dela! :-)

Beijos, minha linda!

Juca

Su, minha queridíssima, nem por um minuto imaginei que ficaria fora dessa blogagem! rsrs Já percebi que a poesia, além da música, faz parte do seu ser, do seu dia-a-dia! :-)

Até a blogagem! \o/ \o/
Beijos!

Juca

Georgia, já agendado e postado! :-)

Abraços!

joão m. jacinto & poemas

Olá, Juca!


Como está?

Felicito-o por divulgar Florbela Espanca, uma grande poeta da Língua Portuguesa!

Um grande abraço!


joão m. jacinto

Juca

Olá, João!

Comigo está tudo bem, obrigado!

Pois é, ainda não conheço o trabalho dela, por isso a blogagem servirá para aproximar-me mais dos seus textos!

Obrigado pela presença!

Um grande abraço!

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Juca (o gerente)



 

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